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Amaram o amor urgente As bocas salgadas pela maresia As costas lanhadas pela tempestade Naquela cidade Distante do mar Amaram o amor serenado Das noturnas praias Levantavam as saias E se enluaravam de felicidade Naquela cidade Que não tem luar Amavam o amor proibido Pois hoje é sabido Todo mundo conta Que uma andava tonta Grávida de lua E outra andava nua Ávida de mar
E foram ficando marcadas Ouvindo risadas, sentindo arrepios Olhando pro rio tão cheio de lua E que continua Correndo pro mar E foram correnteza abaixo Rolando no leito Engolindo água Boiando com as algas Arrastando folhas Carregando flores E a se desmanchar E foram virando peixes Virando conchas Virando seixos Virando areia Prateada areia Com lua cheia E à beira-mar
chico buarque
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É domingo. Domingo dia de jogo: São Paulo x Corinthians. Paira na cidade um clima de final de futebol. Incrível como as pessoas se transformam pelo futebol. O jogador, feito gladiador numa arena romana, digladia num cenário pré-moldado. Álcool, e outras drogas (como se álcool não fosse droga!) permeia essa paixão velada pelo esporte. Ou, ao menos pelo futebol. Ou pelo Corinthians, sei lá.
Ai, deu vontade de escrever.
Escrever pra quem? Pra quê? Não sei. Aproveitei que tenho esse blog (gentilmente cedido pela Cris) pra aliviar as neuroses.
***
(Cris, faz um tempão que não falo contigo. Tenho esse péssimo hábito de sumir, mas, creia, não é nada pessoal. Eu sumo mesmo, e um dia, acredito eu, perderei essa péssima mania de não dar retorno)
“ O meu erro foi crer que estar a seu lado bastaria.”
Então, aproveitando que decidi escrever, resolvi, também, lavar a alma. Espero que depois da dita cuja limpinha, devidamente centrifugada pelas linhas mal escritas, volte a habitar o meu ser, o meu cotidiano, de forma mais tranqüila e serena (como toda alma deveria ser).
Comecemos, então, pedindo perdão.
Sobre o perdão e a impermanência
Freqüentei, um certo tempo, um templo budista. Aí, naquelas palestras densas - porque não há (creia, não há!!!!) palestra budista superficial - ouvi falar da impermanência. E eu, feito menino querendo exorcizar seus fantasmas, ouvia com atenção sobre a tal da impermanência.
Mas, ela (a monja) continuava serena. Uma serenidade sem tamanho. Sem fim, sem começo. Sei lá, uma tranqüilidade sem tamanho, dessas que a gente só vê em filme. Dessas que a gente jura que não existe, pois, nem parece humano. Parece mais algo superior, algo divino. Não sei.O que importa, é que ela (a monja) continuava lá, toda “clean” a falar dos demônios. Pois que desçam todos os demônios do mundo, porque nós ainda somos mais soberanos que eles...
E ela seguia um tanto contemplativa falando das mudanças, das coisas que insistem em não ser do jeito que nos gostaríamos que fossem. Desses fatos que insistem em trilhar um caminho paralelo (quando tudo, T-U-D-O, o que a gente mais queria na vida era que as coisas fossem mais certinhas, sabe? Certinhas, “tipo” preto-no-branco. Pingo nos is. Certinhas feito um filme hollywoodiano com final feliz. Certinhos e maniqueístas como a guerra do Bush...)
E, num determinado momento, ela falava, também, sobre a importância do perdão. Do pedir perdão. E, do (ato de) perdoar.
Geeeeeeeente, eu ouvia aquilo tudo com muita estranheza. Estranheza, pois não conseguia admitir que fosse necessário o ser humano vasculhar sua vida a procura de quem pedir perdão, como se fossemos os únicos errantes, os únicos maldosos na terra dos bonzinhos...
Bom, o tempo passou. E, agora que a caixa de Pandora foi aberta, segura. ..
Lá vai (ladys firts):
Vi: o único problema entre a gente foi que você estava muito superior a mim;
Fá: você era a mulher perfeita que qualquer um queria ter (e eu não procurava nada que fosse perfeito);
Dri: não havia nada de mais lindo do que seu sorriso. E, anos depois, foi impressionante quando te vi grávida, com um barrigão enorme. Senti que você era feliz. E olhei de longe. Você não me viu. Que deus a ilumine. Sempre.
Beth: te juro que quando te via não queria você... queria o que você podia proporcionar. Proporcionar ao meu ego, ao meu orgulho infantil. Orgulho do homem dopado por uma mulher linda. É duro admitir isso, mas é verdade. Sinto que não tinha a maturidade necessária pra ter você. Talvez, por isso acabou, enfim... que bom que você está bem!!
Sa: lembro do primeiro dia que entrei naquela sala de aula. Você brilhava. Você era uma das poucas garotas naquele ambiente, e sua presença era absoluta . Nem consegui dar aula. Enfim, tem uma música que diz tudo: “ Que nobreza você tem. / Que seus lábios são reais / Que seus olhos vão além / E uma noite faz um bem / de nunca mais “
Ca: Foi incrível quando te vi a primeira vez. Juro. Como uma garota de vinte anos, candidata a um mero estágio, poderia ser tão madura. Pois bem, passei alguns anos da minha vida tentando descobrir de onde vinha tanta lucidez, tanta sabedoria. Não descobri. Que as terras alemãs te tragam a felicidade que você busca. Te admiro mesmo. Tudo-de-bom....(sucesso, risos!!!!!)
Meg: foi curto, né? Mas foi sincero, intenso. Risos, risos, risos. Beijos....
Diana: por que raios eu deixei você ir embora ?????!!!!
Lu: nunca houve traição. Creia.
Li: O canadá é lindo. Mas todas fotos que você aparecia roubava completamente a paisagem. Que deus te ilumine ai na America...
Deb: Desculpe. Pra você., “só” isso: desculpas. Todas as desculpas do mundo.
Dani: O meu erro foi crer que estar a seu lado bastaria
Marcia: Não dava, né?
(Cris, muitos beijos! Acho que nao tenho que te pedir desculpas de nada, certo?? beijos??? )
Bom, acho que já limpei algumas coisas. Tem muitas outras pessoas a pedir desculpas. Muitas mesmo. Talvez o tempo faça com que o desabafo seja mais imparcial. Talvez a Vida dê o brinde de encontrá-las novamente e pedir perdão pessoalmente. Ou, quem sabe convidar prum café ou chopp e desfazer todas as mágoas que eu insisto (mesmo sem querer) em plantar.
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“ no inverno de proteger. No verão sair pra pescar No outono te conhecer Primavera, poder gostar “
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Monday, January 13th, 2003
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You´re the top – Cole Porter
At words poetic I'm so pathetic That I always have found it best Instead of getting 'em off my chest, To let 'em rest - unexpressed. I hate parading my serenading, As I'll probably miss a bar, But if this ditty is not so pretty, At least it'll tell you how great you are.
You're the top! you're the Collosseum, You're the top! you're the Louvre Museum, You're the melody from a symphony by Strauss, You're a Bendel bonnet, A Shakespeare Sonnet, You're Mickey Mouse!
You're the Nile! You're the Tow'r of Pisa, You're the smile, of the Mona Lisa! I'm a worthless check, a total wreck, a flop! But if baby I'm the bottom, You're the top!
You're the top, you're Mahatma Gandhi, You're the top! you're Napoleon brandy, You're the purple light, of a summer night in Spain, You're the National Gallery, you're Garbo's salary, You're cellophane!
You're sublime, you're a turkey dinner, You're the time, of the Derby Winner, I'm a toy balloon that's fated soon to pop; But if baby I'm the bottom you're the top!
You're the top, you're a Waldorf salad You're the top, you're a Berlin ballad You're the nimble tread of the feet of Fred Astaire You're an O'Neal drama, you're Whistler's mama, you're camembert
You're a rose, you're inferno's Dante You're the nose, on the great Durante I'm a mazy lout who is just about to stop But if baby I'm the bottom, You're the top!
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Wednesday, January 8th, 2003
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Despierto de una erótica caricia y sin amanecer me estoy quemando. Ruego que antes del fin de la delicia la luz me diga a quien estoy amando. Hago un café romántico, barroco, recorro mi cabeza en agua fría, y en el espejo veo el viejo loco que cada día piensa que es su día, que es su día, vaya forma de saber que aun quiere llover sobre mojado. Vaya forma de saber que aun quiere llover sobre mojado.
Leo que hubo masacre y recompensa, que retocan la muerte, el egoísmo. Reviso pues la fecha de la prensa, pareció que ayer decía lo mismo. Me entrego preocupado a la lectura del diario a acontecer de nuestra trama y sé por la sección de la cultura que el pasado conquista nueva fama. Nueva fama, vaya forma de saber, que aun quiere llover sobre mojado. Vaya forma de saber que aun quiere llover sobre mojado.
Salgo y pregunto por un viejo amigo de aquellos tiempos duramente humanos, pero nos lo ha podrido el enemigo. Degollaron su alma en nuestras manos. Absurdo suponer que el paraíso es solo la igualdad, las buenas leyes. El sueño se hace a mano y sin permiso arando el porvenir con viejos bueyes. Viejos bueyes, vaya forma de saber que aun quiere llover sobre mojado. Vaya forma de saber que aun quiere llover sobre mojado.
Un obrero me ve, me llama artista. Noblemente, me suma a su estatura y por esa bondad, mi corta vista se alarga como sueño que madura. Y así termina el día que relato con un batir de alas en las cenizas mañana volverá con nuevo impacto el sol que me evapora y me da prisa me da prisa, vaya forma de saber que aun quiere llover sobre mojado. Vaya forma de saber que aun quiere llover sobre mojado.
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Tuesday, December 24th, 2002
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Mais uma vez e' natal. E la' vem papai noel, compras, cartoes, panetones, ceias etc etc etc
Mas acho que o mais interessante e' o que vem depois do natal. A gente entra numa semana de quase feriado, uns dias de muita folga. Da' pra ver a cidade esvaziar e, se a gente quiser, ainda da' tempo de pegar o ultimo engarrafamento do ano, seja na tamoios ou na imigrantes.
Enfim, e' epoca de preguica (ou ocio criativo). Epoca pra rever os planos e lembrar de tudo aquilo que a gente fez... das grandes merdas 'as coisas boas. Lembrar do que nao deu pra fazer, mesmo que seja so' pra sacar que nem tudo o que a gente quis era realmente pra gente.
E', o ano acabou mesmo. Muita sorte em 2003.
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Saturday, December 21st, 2002
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frase do haroldo, um tigre imaginario do calvin. calvin um dos desenhos favoritos da cris. cris, minha favorita.
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Wednesday, December 18th, 2002
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Ando por aí querendo te encontrar Em cada esquina paro em cada olhar Deixo a tristeza e trago a esperança Em seu lugar Que o nosso amor pra sempre viva Minha dádiva Quero poder jurar que essa paixão jamais será Palavras apenas Palavras pequenas Palavras momento
Palavras, palavras Palavras, palavras Palavras ao vento
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Tuesday, December 17th, 2002
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